Uma conversa sobre multipolaridade

Hoje, conversando com colegas, chegamos a uma discussão sobre o poder ianque no mundo.

Considerei que uma solução para isso seria ampliar espaços multipolares.

Ouvi como resposta que entre um domínio mundial pelo Irã ou pelos Estados Unidos, é melhor o domínio pelos ianques.

Bem, creio que as premissas dessa conversa estão erradas. Não existe tal opção. Não estamos num mundo onde temos de escolher entre a Luz e as Trevas. Mas temos de reconhecer que os ianques são bons em sua propaganda, que repete os cacoetes da Guerra Fria, só que hoje em dia o Império do Mal não é mais a União Soviética.

A essa minha ponderação, ouvi que ninguém cederia espaços de poder e que os ianques ocupam vácuos de poder, que se não forem ocupados por eles, certamente será ocupados por criaturas como Ahmadinejad.

Tentei argumentar que não se trata de pedir que alguém ceda espaços de poder – concordo que ninguém cede espaços de poder – mas de ampliar o poder de outros jogadores internacionais. Lembrei teses do James Madison (Pai Fundador/Founding Father) da República norte-americana, que justamente por considerar que o homem é o lobo do homem, propôs que o único meio de evitar a excessiva concentração de poder e a tirania era garantindo espaço para a participação de diferentes grupos nas arenas de decisão. E essa participação não se dá porque alguém cede, mas a própria existência dos grupos e do espaço de discussão impede a ação dos tiranos. Não se trata, pois, dos EUA cederem seu espaço de poder, mas de outros atores resistirem à tirania – o mero exercício da resistência elimina a tirania. Considerei que domínio é domínio, seja de Washington ou (hipoteticamente) de Teerã. A multilateralidade vem “naturalmente” da resistência.

Daí vieram criticar as escolhas diplomáticas de Lula, dizendo que não se combate a hiperpotência americana se associando a ditadores como o iraniano, Chávez ou os irmãos Castro. Aliás, segundo eles, os americanos, por defenderem os valores ocidentais, deveriam ser apoiados.

Bem, acho que não me fiz claro. Desisti. Aos olhos deles, fiquei parecendo um lunático defensor de utopias. 

Será que é tão difícil assim que a multipolaridade é a real defesa da civilização contra a barbárie?

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