Ainda sobre as revoluções no mundo árabe

O Ocidente moveu-se para derrubar Kadafi.

Mais do que a zona de exclusão aérea, o Conselho de Segurança da ONU aprovou “qualquer medida necessária”, o que justificou os bombardeios deste fim de semana.

Kadafi não tinha o apoio do Ocidente… aliás, por seu passado de envolvimento com terrorismo, tinha até a antipatia. As tentativas de aproximação com o Ocidente eram recebidas com algum constrangimento, mas o petróleo fazia o constrangimento ser logo esquecido. Mas… enfim… derrubar Kadafi não será nenhum problema.

O problema é como os líbios receberão essa intervenção estrangeira e como ela afetará o equilíbrio de poder entre os rebeldes. Outro problema é como as outras nações árabes vão reagir. O Maurício Santoro (aqui) lembrou que a Liga Árabe teve de fazer um pronunciamento em que reafirmava que seu apoio se limitava à zona de exclusão aérea, o que indica que os bombardeios não são bem vistos. Note-se que, até aqui, as ditaduras estão caindo sem o apoio do Ocidente… muito pelo contrário. Santoro também lembrou que ditadores podem voltar a falar que a demanda por democracia não passa de uma conspiração dos ocidentais.

Imagino que isso ocorrerá agora na Síria, cujo movimento por democracia começou a ganhar força. Infelizmente, para os sírios, Al-Assad parece contar com boa coesão entre as forças armadas.

Coesão que está se esfacelando no Yemen. O ditador Ali Abdullah Saleh perdeu o apoio de parte das forças armadas que agora declaram estar nas ruas para proteger a população, fato semelhante ao que ocorreu no Egito. No Yemen, porém, as possibilidades de uma guerra civil ainda não estão descartadas… e se Kadafi tivesse tido melhor sorte, acho até que ela estaria à beira da eclosão. O Yemen é um país em que se diz que a Al-Qaida tem uma base, logo, o Ocidente não vai deixar a coisa degringolar muito, assim, imagino que Saleh não apostará numa guerra civil, afinal, bombardear Sanaa não será mais difícil que bombardear Trípoli.

A contrarrevolução só teve sucesso, mesmo, até agora no Bahrain. Se bem que pra isso precisou da intervenção da Arábia Saudita. Num post anterior, eu considerava muito difícil que os sauditas não se envolvessem para proteger um monarca absoluto, como eles mesmos. De qualquer modo, o Bahrain não passará incólume pelos protestos, algumas concessões terão de ser feitas, afinal, a maioria xiita ainda eleva seus punhos e pede a queda do rei. Ou há alguma concessão, ou os sauditas vão se meter num banho de sangue.

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