Dilma e a Folha, ainda

Acabei de ver no Maria Frô (vide blogroll) que a Folha dilmou. E como prova ela transcreve um artigo do Jânio de Freitas com elogios rasgados à presidenta (que eles ainda insistem em chamar de presidente, apesar do protocolo presidencial já ter adotado o presidenta, numa prova de que birra não é coisa só de criança).

Mas, enfim, escrevo este pois um trechinho do artigo/editorial diz:

“Sua origem e seu percurso para chegar ao Planalto não se fizeram na vida política, nas disputas partidárias, nos embates parlamentares, nas lutas entre oposição e governo. (grifos da Maria Frô) Dilma Rousseff não traz, nem deixou nas eminências partidárias, ressentimentos e idiossincrasias que podem ser disfarçados, mas não são inativos. Conduzem, mesmo, grande parte da política. Não, até agora, em relação a Dilma Rousseff.”

Deixe-me ver… a Folha considera que a presidenta da República é um ser apolítico…

Interessante, não?

Talvez por isso os elogios, afinal, se a própria presidenta não é um ser político, a administração pública também deixa de sê-lo… torna-se, imagino, “uma coisa técnica” (aliás, chamar a presidenta de “técnica” também já é um bordão da mídia).

E porque isso? Porque evita que a administração pública seja democrática, afinal, os “técnicos” sempre sabem mais e melhor que os leigos. Os “técnicos” podem dirigir nossas vidas sem ouvir nossas opiniões descabidas. Os “técnicos” nunca tomam decisões com base em opinião… com eles é tudo perfeitinho, pingos nos i’s e etc.

Em sonho, claro, pois a realidade é bem outra – mas a idéia é te convencer que a política é uma coisa ruim., de gente que remoe mágoas e não dialoga… olha só, segundo a Folha, a política é a negação do diálogo… interessannte, não?

Deve ser por isso que emprestavam seus carros de reportagem para os militares prenderem opositores e por isso que chamam nossa ditadura de ditabranda… afinal, política, diálogo, democracia, são coisas que só atrapalham, não é mesmo?

Cada dia com mais nojo da imprensa, e olha que o Jânio de  Freitas não é o pior deles, muito pelo contrário…

Se bem que essa negação da política já é quase uma marca de nossa cultura. Sempre ligamos a política ao mal feito, à corrupção… e sempre esperamos que Dom Sebastião venha nos salvar… mas a única salvação está na política, no diálogo e na democracia.

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