nota rápida sobre um livro e o pensamento de nossas elites

Joaquim Nabuco é um tipo de herói nacional. Foi parlamentar, diplomata e lutou contra a escravidão. Nasceu em Recife e faleceu em Washington, EUA. Tinha um belo bigodão.

Entre os livros que escreveu, um intitula-se ‘Minha Formação’, espécie de auto-biografia (ainda tem hífen?) intelectual.

Creio que este é um livro importante para entendermos a cabeça de nossas elites.

No capítulo VII, Nabuco escreveu que, de tanto ler e ser influenciado pela poesia francesa

“O resultado foi que me senti solicitado, coagido pela espontaneidade própria do pensamento, a escrever em francês.”

E prossegue,

“com efeito, não revelo nenhum segredo, dizendo que insensivelmente a minha frase [em português] é uma tradução livre [do francês], e que nada seria mais fácil do que vertê-la outra vez para o francês do qual ela procede”

No capítulo X ele, num devaneio,

“Às vezes me distraio a pensar que povo eu salvaria, podendo, se a humanidade se devesse reduzir a um só. Minha hesitação seria entre a França e a Inglaterra.”

Hummmm… se não, vejamos, seu pensamento era, primeiro, em francês, sendo o português uma “tradução livre”. E, se a humanidade fosse acabar e só um povo pudesse ser salvo, ele nem cogitaria em salvar os brasileiros, pois ficaria indeciso entre os franceses e os ingleses.

Interessante, não?

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