O programa do PSDB na TV

Acabei de ver o programa do PSDB e quero registrar algumas notas.

A primeira é a impressão geral. Eles vão continuar insistindo no discurso udenista de que as liberdades estão ameaçadas e que este governo é corrupto ao extremo e só eles, virgens vestais, poderão fiscalizá-lo e salvar o Brasil do caos (que só eles enxergam).

FH dizendo-se decepcionado com o governo Lula foi uma piada de mau gosto. Ele até concede que “houve avanços sociais”… olhem só que bonzinho e nobre…. mas não soou conciliador, apenas cínico.

Não apresentaram nada, nadinha, que lembrasse um programa político e econômico. Falaram vagamente em reformas, mas não disseram exatamente quais seriam. Só deixaram claro que são ‘contra’ qualquer coisa que o atual governo apresente.

Na tentativa de buscar uma militância, apelam para o uso da internet… querem uma militância sentada atrás do computador, preferencialmente anônima e artificial, ideal para propagar o ódio udenista, como na última campanha.

A imagem de FHC “cercado pelo povo”, numa sala branquinha, asséptica, artificial como cenário de novela mexicana, com uma plateia bem comportada e fazendo “as perguntas certas” deu o tom do programa… que bela imagem de “povo” eles buscaram, hem? Mas bastante reveladora.

No melhor momento do programa, apresentaram rapidamente os nomes e os rostos dos governadores do partido, tentando vinculá-los à imagem de competência… se bem que não mostraram realizações de nenhum deles, nem ações que possam ser identificadas com algum tipo de identidade programática. A vinculação limitou-se à afirmativa de que, se foram eleitos ou re-eleitos, é porque fizeram algo de bom, mesmo que não se saiba bem o que…

Finalizaram com Sérgio Guerra dizendo que não querem dividir o Brasil… mas quem disse que eles querem? Será que foi um ato falho? Afinal, isso foi dito logo após lembrarem que “governam metade da população brasileira”.

O programa foi muito limpo, com fundo branco, quase sem imagens externas, sem luz natural… asséptico como a sala onde FH “encontrou o povo”. Isso diz muito sobre a imagem que eles querem passar, de limpos, preparados… mas, ao mesmo tempo, revela quem eles são, afastados, distantes do povo e da realidade das ruas.

A impressão que tenho é que o programa foi feito para os já conversos. Que se limitou a lembrar que FH está vivo. Que foi feito quase só porque era obrigatório, pois não disse nada de novo… aliás, além de reafirmar o udenismo, não disse mais nada… se bem que eles não têm nada além disso para dizer, não é mesmo?

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