Ainda o Egito

Ainda sobre o Egito, recomendo a leitura do artigo de Pepe Escobar, no Asia Times, traduzido pelo “Coletivo Vila Vudu”, disponível no ‘Outras palavras’, que pode ser acessado clicando aqui (ou via blog do Nassif).

Em outro artigo no Asia Times (esse ainda sem tradução conhecida), Escobar segue a linha de pensamento do Juan Cole e do Farrukh Saleem, que consideram que o mais fácil é uma “solução militar”, em que ou o Gen. Suleiman (o recém-indicado vice-presidente) ou o Ten.-Gen. Sami Anan (opção de Saleem) liderem um golpe de Estado “em nome do povo”.

Sami Anan comanda o maior contingente militar, com grande número de conscritos, ou seja, naturalmente mais próximo dos civis. Mas Saleem acredita que Anan não se tornaria o presidente, tarefa para o Marechal do Ar Ahmed Shafiq (atual primeiro ministro).

Essa seria uma solução interna, que preservaria a dignidade das forças armadas e muito do status quo. Resta saber como se comportarão os novos atores que querem subir ao palco, como Elbaradei e a Irmandade Muçulmana.

Aliás, Elbaradei como líder de um governo de transição soaria mias agradável ao Ocidente, mas sua carreira foi quase toda feita fora do Egito, assim, será que ele tem o necessário entrosamento com as Forças Armadas? (pois sem as forças armadas não haverá a transição pacífica que todos, até o povo nas ruas, querem) Mas seu nome não pode ser descartado, afinal, talvez facilite o apoio dos EUA ao novo regime regime de transição.

E os EUA são chave nessa história toda, apesar deles preferirem que Mubarak fique. Infelizmente, para a diplomacia norte-americana, que tem dificuldades em negociar com democracias e preferem a “estabilidade” dos ditadores, eles vão ter de se adaptar a novos tempos no Oriente Médio

Mas, se os generais organizarem essa solução interna, haverá, mesmo assim, um novo Egito?

Os analistas parecem concordar que sim, afinal, as ruas pedem reformas democráticas e não apenas a saída de Mubarak. A “solução interna” será apenas de transição. Resta saber como se comportarão os ianques (e Israel) quando o novo regime de fato se apresentar após as inevitáveis eleições.

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