Egito

Eu já havia perguntado aqui se um Egito seria uma nova Tunísia.

Só pra lembrar, os vazamentos de correspondência diplomática americana do wikileaks com relatos sobre a corrupção na ditadura de Zine El Abidine Ben Ali foram a gora d’água e levaram milhares de pessoas às ruas manifestando seu descontentamento geral com o governo. Ben Ali refugiou-se na Arábia Saudita e os tunisianos tentam montar um governo de união nacional e transição. Mas a situação ainda é confusa.

O sucesso dos protestos parece ter influenciado os egípcios, que também saíram às ruas exigindo mais democracia, mudanças nos rumos da economia e a saída de Hosni Mubarak.

O que há de comum nos dois movimentos é sua aparente espontaneidade, sem líderes claros.

Essa é a força e a fraqueza desses movimentos.

A força vem da legitimidade que os desejos de mudança ganham, afinal, o povo está nas ruas não só exigindo a democracia mas a exercitando, soltando sua voz. E, se eles se acostumam com a ideia, os próximos governos terão de se submeter a ela… ou comprar a estabilidade sobre o sangue do povo.

A fraqueza vem da incoerência inevitável a um movimento sem estrutura, sem programa, sem figuras que possam aparar arestas e negociar, afinal, negociar, e mesmo ceder, também faz parte da democracia.

O Sakamoto, em seu blog, lembra que os EUA são o principal suporte à ditadura egípcia e, acertadamente, considera que tão logo os ianques deixem de apoiar Mubarak, ele cairá. Mas, como o próprio Sakamoto disse, os americanos não farão isso até vislumbrarem que o novo regime continuará seu aliado. O difícil é que o novo regime seja um aliado tão automático dos ianques como o atual, até porque há demanda popular para um certo distanciamento dos norte-americanos.

Mas o Egito não é a Tunísia, os interesses ocidentais são muito mais fortes lá. Para se ter uma ideia do peso do apoio americano e de seu interesse, o Paulo Henrique Amorim lembra que o Egito só recebe menos recursos dos EUA que Israel. Além disso, as outras ditaduras do Oriente Médio podem temer um efeito dominó e auxiliarem a permanência de Mubarak como uma forma de deixar claro aos seus próprios cidadãos (ou súditos) de que protestos como esse nem sempre têm o efeito desejado.

A ver…

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