Intolerância

Sábado passado, dia 22, publiquei um post sobre o PSDB e a inexistência de um projeto naquele partido além do ser “do contra”. Usei expressões como “que o PSDB feneça… morram com o próprio veneno” e fiquei pensando se não estou sendo muito intolerante. Daí lembrei do Norberto Bobbio, que no livro “A Era dos Direitos” tem um capítulo intitulado “As Razões da Tolerância” (cap. XI). Lá podemos ler:

“pode-se aduzir à tolerância uma razão moral: o respeito à pessoa alheia”.

E minhas crenças vão ao encontro da opinião do mestre italiano. As divergências não devem ignorar o respeito à pessoa alheia. Como diria Voltaire, “não concordo com o que dizes, mas morrerei defendendo o direito de dizeres” (ou algo mais ou menos assim). Fui, então, intolerante? Voltemos ao Bobbio:

“As boas razões da tolerância não nos devem fazer esquecer que também a intolerância pode ter suas boas razões”.

Hummmmm… a intolerância também pode ter “suas boas razões”… Como assim? Até que ponto?

“Nesse ponto, cabe esclarecer que o próprio termo ‘tolerância’ tem dois significados, um positivo e outro negativo, e que, portanto, também tem dois significados, respectivamente, negativo e positivo, o termo oposto […] tolerância em sentido negativo, ao contrário, é sinônimo de indulgência culposa, de condescendência com o mal, com o erro, por falta de princípios, por cegueira diante dos valores”.

A tolerância, portanto, não pode impedir nossa justa indignação diante do mal-feito, do erro.

“nossas sociedades democráticas e permissivas sofrem de excesso de tolerância em sentido negativo, de tolerância no sentido de deixar as coisas como estão, de não interferir, de não se escandalizar, nem se indignar com mais nada”.

A intolerância positiva é a correção necessária à tolerância negativa (ou permissiva). No blog do Nassif (vide blogroll) tem uma postagem do Renato Janine Ribeiro (deve ser mesmo o filósofo e professor da USP) pedindo por uma “política sem demonização” e uma discussão sem “maniqueismo”. Bem, se partimos da premissa de respeito à pessoa alheia, ela não será o “demônio”. Mas é importante que os lados estejam claros e que as diferenças sejam apontadas. Ainda no Nassif, um outro leitor (ercamargo) escreveu sobre a necessidade da oposição ser mais civilizada. Estaria sendo ele maniqueista? Bem, em sua postagem ercamargo não demoniza “a direita”, mas não deixa de apontar que a oposição mais barulhenta aposta no “rancor melancólido da moral udenista”… e eu completo, no golpismo (udenista também, só pra lembrar). E denunciar este “udenismo” não é demonizar, é apenas ver chifre em cabeça de touro, afinal, o chifre está lá mesmo! Mas, talvez, evitar expressões como “morram malditos” não diminua a contundência da crítica e impedirá que os udenistas digam, “tá vendo? Esses comunas são intolerantes, querem nos matar, comer nossas criancinhas e dividir nossas galinhas com todos”. Será que consigo me controlar?

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