Não existirá PSDB algum

O André Egg, no Amálgama, pergunta-se, ‘Um novo PSDB?’. E parece acreditar nessa possibilidade.

Aliás, parece acreditar que houve um PSDB na década de 1990, que sabia aonde ir e tinha projetos claros, mas perdeu-se no início do século XXI, e que há um novo PSDB em gestação nos governos do Paraná, Minas Gerais e São Paulo.

Na década de 1990 a América Latina foi varrida pela dolarização e privatização. E FH, que defendia um tal de “desenvolvimento dependente” desde a década de 1960, estava no lugar certo e na hora certa para pegar esse barco. O PSDB não existia. Mário Covas que me perdoe, mas o PSDB não existia… aliás, como não existem diversas siglas partidárias. A sorte de FH colocou o grupo político do qual fazia parte no poder. Como sempre, o PFL (atual DEM, ex-PDS, ex-ARENA), ou melhor, as pessoas que se juntavam ao redor da sopa de letrinhas ‘P’ ‘F’ ‘L’, aderiram ao governo e, por tabela, ao pensamento hegemônico de então – não que o defendessem, afinal, o PFL ainda rumina certo ódio contra Pedro II e a princesa Isabel por terem abolido a escravidão, mas como precisavam de uma narrativa “moderna” para justificar sua presença nos palácios de Brasília, qualquer coisa disponível servia.

Aliás, o PSDB era tão inexistente que foi necessário empurrar goela abaixo da Constituição a possibilidade de reeleição presidencial, pois ninguém além de FH garantiria a manutenção do grupo político no poder. O personalismo era tão grande que uma “solução Dilma” era impensável. Não havia ninguém que encarnasse claramente um “projeto PSDB”. Não havia ninguém que garantisse que aquele grupo incoerente continuasse ao redor da fogueira do poder a não ser o próprio FH. E também porque simplesmente não havia um projeto PSDB. O que havia era um homem que garantia um “plano econômico”, o Real, e só. Nem as privatizações e as propostas de um Estado reduzido eram percebidas como importantes pelos eleitores… não à toa nas campanhas vitoriosas de Lula em 2002 e 2006 e na de Dilma em 2010 a “carta da privatização” foi usada com sucesso contra os candidatos do PSDB.

Mas, mesmo sem um “velho PSDB”, ainda pode haver um “novo PSDB”? Creio que sim. E aqui o André tem razão. Pode ser que um partido acabe por surgir do exercício da administração desses três importantes Estados. Mas só se os governadores adotarem políticas conjugadas, que depois possam se identificar com o partido, como o “orçamento participativo” era identificado com as prefeituras do PT.

Poder, até pode… mas acho que dificilmente esses três governadores farão isso, afinal, seus Estados e suas administrações estão em momentos diferentes. Anastasia continua Aécio (ou, na verdade, a si mesmo), Alckmin volta ao governo e tem a tarefa de desmontar a péssima campanha presidencial disfarçada de governo que foram os 3 anos de Serra, e Richa vai começar do nada (pois assim se vêem os oposicionistas que chegam ao poder). Não vejo articulação administrativa entre eles… o que só seria possível se realmente existisse um PSDB com projetos claros, práticas coerentes e certa homogeneidade de pensamento ou ideológica (o PSDB é de centro, centro-esquerda, centro-direita? São mais próximos do DEM ou realmente podem dialogar com PDT, PSB e que tais? Será que alguém sabe essas respostas?)

Infelizmente (para eles) o personalismo é tão grande que ainda existe um serrismo com força suficiente para pautar o partido. Pelo menos assim pensa Marcos Coimbra, neste artigo. E, tendo ele razão, o PSDB corre sério risco de virar uma caricatura tupinambá do Tea Party (que já é uma caricatura).

De qualquer modo, não entendo porque tem tanta gente falando de um “novo” PSDB. Já teve até gente defendendo que os tucanos deviam se transformar num partido de militância, se aproximar dos sindicatos e que as diferentes correntes do partido debatessem e disputassem lugares na direção… como se o problema do partido fosse apenas de gerenciamento e um benchmanking com o PT pudesse ser a solução. Por mim, parava de dar dicas ao PSDB e deixava o bicho morrer logo.

Afinal, não haverá um novo partido se ele não dialogar com “as forças vivas da sociedade”, como talvez dissesse Marina Silva. Mas o PSDB não fará isso, pois seus integrantes costumam ter medo de sujar o sapato na lama do Brasil, como talvez dissesse Carlota Joaquina.

Essas quatro letrinhas, P, S, D e B, formam, porém, a maior sopa de letrinhas oposicionista. E só isso os une e dá coerência. São contra. Esse será o “novo” PSDB, o partido do contra. Só falta decidir qual o volume com que gritarão, ou se deixarão o barulho para a imprensa sozinha, limitando-se a fornecer comentaristas para as análises dos jornais.

Mas, por mim, que o PSDB feneça. Afinal, nos últimos anos, não passou de uma versão mal feita da UDN, de triste memória. Que insistam na estratégia serrista do conservadorismo mais rasteiro, do denuncismo mais vazio, da raiva mal canalizada e da pregação do ódio. E que morram do próprio veneno.

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