O que quer a direita?

Em maio do ano passado o prof. Jorge Beinstein, economista da Universidade de Buenos Aires, publicou um artigo na Carta Maior sobre uma declaração do candidato José Serra contrária ao Mercosul. Mas retomo o artigo por causa dos trechos abaixo:

“As direitas loucas, degradadas, infestadas de brotos fascistas estão agora em moda na América Latina. Em certo sentido, expressam o passado (neoliberal), mas, sobretudo, constituem a promessa de um futuro sinistro.

Que outra coisa é a direita boliviana que deseja impor um regime de apartheid? Pensemos na caótica direita Argentina cujo único programa é o retorno aos planos de ajuste e a repressão dos movimentos sociais, na direita golpista paraguaia e seus delírios ditatoriais, na direita venezuelana que já ensaiou um golpe de estado fascista e inviável e que está disposta a repetir a façanha.”

E fico eu pensando, e a direita brasileira? O que quer?

Não se sabe. Nem ela mesma sabe.

Ela apenas é contra. Mas contra o que?

É contra toda e qualquer forma de inclusão social, afinal, é contra o bolsa-família, é contra o Fies, é contra as cotas raciais, é contra delimitação de terras indígenas, é contra, é contra e é contra.

Prega, vagamente, a “defesa do mercado”. Mas, nos últimos anos os diversos setores de nossa economia cresceram e prosperaram, assim, defesa contra quem? O comunismo soviético? Será que não viram que o Muro caiu? Ou são apenas incapazes de pensar o mundo de forma mais complexa do que o velho “nós” contra “eles”?

Essa visão de mundo atávica é que torna a direita um bando de “loucos e degradados”, afinal, mantêm seu ponto de vista apenas pelo rancor de não serem especiais, de não terem escravos, de não mais possuírem o monopólio da opinião nem o controle sobre o destino do país.

Isso explica porque a campanha presidencial foi tão agressiva e parcial – aliás, porque esse início de governo também é criticado num tom de “não vi e não gostei”. É necessário negar os avanços, negar a mudança, negar as oportunidades, negar (ou torcer) a verdade, negar, negar e negar.

Pena.

Primeiro, porque será inútil. Depois, porque apenas tornará mais dolorosa a transição para um país mais justo. E uma dor completamente desnecessária, pois há espaço para todos. Não é necessário temer “os de baixo”. Nós apenas queremos nos divertir na praia também.

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