Criação Imperfeita (comentário sobre livro)

Acabei de ler “A Criação Imperfeita” do físico Marcelo Gleiser.

Eu sei, eu sei… ele apareceu no Fantástico, mas, e daí? O livro é bom.

Trata-se de um livro de divulgação científica sobre a origem do Universo e da vida na Terra.

A intenção do Marcelo, além de divulgar o que havia de mais atual em 2009 sobre cosmologia, é desconstruir a idéia de que haja uma Verdade Final (com ‘v’ e ‘f’ maiúsculos) que possa ser revelada. Um mote do livro é “só conhecemos aquilo que podemos medir”, assim, a cada nova técnica poderemos ver novos ângulos ou possibilidades, num ‘sem fim’ de descobertas.

Ele retorna à Grécia Antiga e seu idealismo filosófico, que buscava entender e descrever a perfeição do mundo, passa pela crença monoteísta (que implica na idéia de Verdade única), para acusar (acusar talvez seja meio forte) a ciência moderna de ainda estar presa ao “Encanto Iônico” (acho que seria melhor “Jônico”, mas que sei eu dos gregos?) em sua busca pela simetria entre as Leis do microcosmo e do macrocosmo.

E ele passa o livro demonstrando como foram os desequilíbrios (entre matéria e antimatéria, entre atração e repulsão, entre as instâncias do tempo etc.) que promoveram a expansão do Espaço e a formação do nosso Universo. Daí o ‘Imperfeita’ do título.

A leitura, mesmo sendo planejada para leigos, às vezes me fez “voar” entre hadrons e léptons, “perder-me” entre dimensões extras (não sou capaz de entender algo além de largura, altura, profundidade e tempo), ficar tonto com o grande número de partículas subatômicas que não são partículas mas apenas elementos matemáticos (como assim?) e sua defesa de que as imperfeições moldaram o nosso universo ganham a forma de frases repetitivas, como se ele quisesse te convencer, também, pelo cansaço.

Ele aproveita para criticar um pouco caras como Dawkins e Sam Harris, que tirariam deus do povo sem pôr nada no lugar. O Marcelo tenta pôr a Natureza (com ‘n’ maiúsculo) no lugar de javé, mas nem ele parece muito convencido que isso pode dar certo. Pessoalmente, creio que tentar encontrar o numinoso na Natureza é simplório e, no caso do Marcelo, contraditório em relação a tudo o que ele demonstra no livro – para ele a ausência de intenção e de algum sentido “superior” marcam a Criação. O único sentido para a vida é o que nós podemos dar a ela. Assim, propor encontrar o Sagrado na aleatoriedade da natureza não me parece nem um pouco coerente. Melhor aceitar que, em nossa solidão, podemos construir o Sagrado sem precisar encontrá-lo em qualquer lugar que seja.

Pode-se ler trechos do livro no site da livraria cultura, clicando aqui.

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